Carlos Camponez: “repensar o jornalismo passa por discuti-lo publicamente”

06 Fevereiro 2020

Para o professor e investigador da Universidade de Coimbra, que se dedica à reflexão sobre ética, deontologia e (auto)regulação dos média, o jornalismo precisa ser debatido de forma mais alargada com todos aqueles que se preocupam com a qualidade da informação. 

Entrevista realizada por Madalena Oliveira. Captação de som e imagem por Marisa Mourão e edição por Vanessa Cortez.

Nesta entrevista ao Communitas, Carlos Camponez explica que a relação entre jornalistas e sociedade se alterou com a chegada das novas tecnologias. E, se no passado o jornalismo foi necessário pela escassez de informação disponível, nos dias atuais passa a ser fundamental por causa do excesso. “Hoje, o jornalismo tem um espaço para se afirmar, um espaço de credibilidade de informação. Se não conseguir, o jornalismo corre o risco de se diluir com esse excesso de comunicação e, do meu ponto de vista, desaparecer”.

O investigador defende ainda a ideia da “mediapolis”, conceito suscitado pelo estudioso da Comunicação Roger Silverstone, que se refere a um espaço em que todas as pessoas preocupadas com a qualidade da informação possam participar e debater. “As questões éticas, as questões da qualidade da informação têm que ser hoje discutidas de uma forma mais alargada, com a própria sociedade civil. No sistema mediático de hoje, os jornalistas estarem sozinhos a discutir as suas questões éticas, os seus problemas socioprofissionais, é colocarem-se numa situação de extrema fragilidade”, afirma.

Carlos Camponez é professor e investigador da Universidade de Coimbra, coordena o Grupo de Investigação de Comunicação, Jornalismo e Espaço Público e dirige a revista Mediapolis, no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX. É ainda membro do Sindicato dos Jornalistas.

E-mail: c.camponez@sapo.pt