Sylvia Moretzsohn: o jornalismo “é cada vez mais necessário”

06 Janeiro 2018

O jornalismo “é cada vez mais necessário exatamente para separar o joio do trigo”, defende Sylvia Moretzsohn. Numa entrevista ao Communitas, a professora aposentada da Universidade Federal Fluminense reflete sobre o lugar e a relevância do jornalismo num mundo em que a internet tem um lugar central.

Para Sylvia Moretzsohn, o jornalismo é cada vez mais necessário para definir o que é informação confiável e o que não é. O problema é como fazer isso porque, por um lado, o ambiente atual “está muito contaminado”, o que afeta a questão da credibilidade, e, por outro lado, levanta-se a questão do financiamento.

“A confusão da internet leva a achar que o jornalismo não é mais necessário, porque todo o mundo pode falar e comunicar”, mas nem toda a gente pode ser jornalista, porque a formação é necessária. Aliás, “o jornalista é um profissional, ele precisa de continuar a ser um profissional”, defende a professora. Como explica, “jornalismo não é liberdade de expressão, pressupõe a liberdade de expressão, mas jornalismo é informação, jornalismo é apuração”.

Voltando à metáfora da separação do trigo e do joio, Sylvia Moretzsohn refere ainda que o jornalista é responsável por “tirar a informação relevante e apresentar”. O desafio é “buscar a informação fundamental e tentar mostrar, fazer o trabalho de mostrar para esse público que essa informação é necessária”.

Sylvia Moretzsohn foi jornalista e é professora de jornalismo aposentada do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (Brasil). Estuda a ética jornalística e, atualmente, tem-se centrado nas relações entre a ética e as transformações e dilemas do jornalismo no contexto da internet. Os vínculos entre jornalismo e quotidianidade, senso comum e a “questão social” também são objeto das suas pesquisas. É autora dos livros “Pensando contra os Fatos – Jornalismo e Cotidiano: do Senso Comum ao Sendo Crítico” (2007) e “Jornalismo Em Tempo Real – O Fetiche Da Velocidade” (2002).

 

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